Após inúmeras reclamações, Secretaria de Saúde de São José volta atrás e transporte de pacientes volta ao normal

Neste final de semana, inúmeras mensagens chegaram até nossa redação, dando conta de uma situação desconfortável para vários pacientes que dependem do serviço público de transporte para unidades hospitalares fora do município, para que tenham condições de cumprir com seus tratamentos médicos. Segundo divulgado nas redes sociais, a partir de hoje dia 25, os veículos da Secretaria Municipal de Saúde não iriam mais buscar os pacientes nos seus bairros. A informação seria muita justa, levando o lado da economia, se a maioria desses pacientes não tivessem nenhuma necessidade física para chegar até o pátio do hospital, ou ainda se não tivessem nenhuma impossibilidade de horários de condução, como transporte público de madrugada e sem contar os que não tem veículo particular para se locomoverem.

De acordo com as reclamações feitas, todos sem exceção deveriam comparecer no pátio do hospital, onde seria o novo local de partida dos veículos para transporte desses pacientes. Quem mora próximo da região central e tem carro próprio não vê muita dificuldade, mas quem mora em lugares mais remotos e de difícil acesso, como região rural do município, teria de fazer mágica para arrumar condução de madrugada e chegar em tempo de não perder o transporte para o tratamento médico.

Em contato com alguns destes pacientes, a decepção é estampada na cara, ao terem que dizer que provavelmente se a decisão for ser cumprida, que acabariam desistindo do tratamento e deixariam nas mãos de Deus.

A revolta se tornou ainda maior pelo fato de que, segundo esses pacientes, o motorista poderia levar o veículo para casa, mas os pacientes não poderiam ser pegos em seu bairro. Um dos pacientes chegou a reclamar que “se a gente será obrigado a se virar e apanhar o carro no pátio, então os motoristas também tem que pegar os veículos lá também… Se for dar dor de barriga, vai dar em todo mundo, afinal a ideia foi deles de não buscar mais pacientes.”

Em contato com o presidente da Câmara Municipal, vereador Francisco Bulhões,  ele afirmou que se necessário, estaria marcando uma reunião com a Secretária de Saúde Rafaella Rampini, para saber o motivo desta atitude que iria prejudicar vários pacientes, principalmente os que possuem algum tipo de dificuldade de locomoção. O vereador afirmou que é contrário a essa nova postura da secretaria de saúde e espera entender pelo menos, o porque da decisão.

Ao questionar a Secretária de Saúde, Rafaella Rampini, sobre o porque dessa nova nova postura para o transporte dos pacientes, bem como toda a dificuldade que a maioria deles enfrentariam com locomoção, perguntamos quais seriam as medidas que a secretaria de saúde tomaria para que eles não perdessem a viagem, como também o tratamento. Em resposta, a Secretária de Saúde afirmou apenas que não vai mais fazer esse procedimento de transporte dos veículos. Que já estará voltando ao normal a partir desta terça-feira dia 26. Onde na quinta-feira, quem não puder se locomover até a via principal para esperar o transporte, que o veículo estará indo até o ponto mais próximo, conforme esquema que já era praticado antes da polêmica.

Também entramos em contato com o presidente da Comissão de Educação, Cultura, Saúde e Meio Ambiente, vereador Fábio Guerra, que informou se tratar de um tumulto desnecessário. Onde fez uma solicitação a gestora da secretaria pedindo que fosse repensada essa decisão.

Em contato com o prefeito Gilberto Esteves, ele confirmou a decisão de que a Secretaria de Saúde revogou a medida por hora, voltando a atender como antes com o transporte dos pacientes. Segundo esclarecido, a decisão foi tomada em virtude de um acidente com uma van nova que teve uma avaria enquanto buscava um paciente em local de difícil acesso. E por causa de o primeiro paciente ficar às vezes até uma hora e meia perambulando pela cidade colhendo pacientes. O prefeito Gilberto disse que “não estamos evoluídos o suficiente para entender que quando todos renunciam um pouquinho todos ganham”. Ele afirma que não teve influência na decisão, nem de suspender e nem de retornar, mas acha razoável estabelecer uma rota para não prejudicar aqueles que embarcam primeiro.

De posse de informação extraoficial, mas de fontes confiáveis, o motivo dessa polêmica toda foi realmente a situação precária de alguns trechos de ruas que estão em péssimas condições para que as vans novas trafeguem sem sofrer nenhum dano. Há de se considerar que prezando pela segurança dos pacientes, a decisão até é louvável. Porém, se a situação das estradas ou ruas estão precárias, não deveria o poder público tomar medidas que melhorassem essas vias? Ou tomar essa postura vai resolver a questão da segurança e mínima condição das estradas que não estão em possibilidades de trafegabilidade? Os pacientes que não tem culpa é que vão ser prejudicados? Cadeirantes, pessoas com dificuldades oncológicas, que não tenham condução própria ou não disponham de transporte público de madrugada, esses que vão pagar a conta das péssimas condições das vias públicas do município?

(Imagem: Reprodução)

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