Secretária de saúde de Nova Friburgo pede a diretor de hospital ‘que opere o paciente ou que ele morra’

Um áudio de autoria de Tânia da Silva Trilha, secretária de saúde de Nova Friburgo, foi divulgdo nesta segunda pelo site de notícias locais Nova TV. Na gravação, ela pede a um homem identificado como Arthur que resolva a situação de um paciente:

“Arthur meu querido, olha só! Eu preciso só que resolva; que opere o paciente ou que ele morra, entendeu, ‘pragente’ se ver livre do problema, mas é só o que eu preciso porque eu tenho que cumprir uma decisão judicial, você me ajuda nisso por favor?”, diz Tânia.

Procurada, a secretária de saúde confirmou a autenticidade do áudio. Porém, Tânia afirmou que prima pela vida e que a gravação, incialmente compartilhada em um grupo com diretores de hospitais, foi descontextualizada. O homem identificado como Arthur é Arthur Mattar, ex-diretor do hospital municipal Raul Sertã. Ele deixou o cargo no último dia 07 de maio, quando afirmou “não compactuar com esta gestão da secretaria Municipal de Saúde, onde os valores judiciais são mais importantes que os valores humanos”.

Secretaria já se envolveu em outras polêmicas
Essa não é a primeira vez que a Secretaria de Saúde de Nova Friburgo é envolvida em polêmicas. Em dezembro de 2017, o órgão foi alvo da operação “Esterilização” da Polícia Federal. Na ocasião, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos, após denúncias de fraudes em contratos para fornecimento de serviços.

Já em setembro do ano passado, a Câmara Municipal da cidade abriu uma CPI por conta de supostas irregularidades em outros três contratos emergenciais assinados pela secretaria entre abril de 2017 e agosto de 2018.

Nesta terça-feira, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj) divulgou uma nota de repúdio à situação, classificada pela entidade como “descalabro”. O texto lembrou que o direito à vida é garantido pela constituição e criticou o que entendeu como “coação ao médico”.

“O CREMERJ ingressará, no dia de hoje, com representação de improbidade administrativa no Ministério Público do Rio de Janeiro por violação do princípio da moralidade administrativa”, informou o órgão na nota.

Fonte: Jornal Extra

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