Queimadas em São José: a educação cultural da irresponsabilidade criminosa

Tem sido desolador ver apenas dois integrantes da Defesa Civil Municipal de São José terem de dar conta de ações criminosas, que são na verdade, reflexo de uma educação cultural regional de muita irresponsabilidade.

No fato mais recente, o incêndio no morro entre os bairros de Camboatá e Jaguara, é algo desesperançoso ver a atitude de pessoas irresponsáveis. Um comportamento criminoso que ceifou a vegetação do local, atingindo famílias diversas que são moradoras próximas de onde o fogo estava consumindo; sem contar os problemas de saúde no fator respiratório, que se torna ainda mais complicado quando se depara com a enorme quantidade de fumaça.

Todo mundo sabe que quando chega essa época do ano que tem o clima seco e poucas chuvas, a quantidade de queimadas se tornam mais propícias e a vegetação drasticamente é ceifada. Além de um grande problema ambiental, é também um comportamento oriundo de uma educação cultural irresponsável.

Se as pessoas tivessem a consciência da essencialidade em prevenir esse tipo de crime, o meio ambiente seria mais preservado e as vidas dos animais e seres humanos não enfrentariam tantos problemas respiratórios e de sobrevivência.

Temos de tomar consciência de que precisamos evitar essas queimadas. Precisamos nos conscientizar de que podemos começar com pequenas atitudes do nosso dia a dia, que farão uma enorme diferença.

A maior parte das queimadas, ocorre por ação humana, por razões variadas como, limpeza de pastos, preparo de plantios, desmatamentos, colheitas, vandalismo, queda de balões, disputas fundiárias e protestos sociais, entre tantas outras.

Podemos evitar jogar bitas de cigarro em locais onde haja vegetação, sem contar que latas de metal e garrafas de vidro também não podem ser jogadas em qualquer local, pois elas esquentam com muita facilidade e acabam causando queimadas. Para as pessoas que viajam bastante, evitar jogar lixo pela janela do carro é essencial para que as queimadas sejam evitadas. Os balões também são um dos maiores causadores de queimadas e por isso não soltá-los é uma maneira de evitá-las.

Em nossa região, o vandalismo e a negligência são os principais responsáveis por desastres ambientais. Uma das ações mais comuns, é na questão de limpeza de terreno, queimando lixo ou entulhos, sem fazer pelo menos, ainda que não seja o correto, uma separação do material a ser queimado da vegetação ao arredor, que impediria o fogo de se alastrar por toda a mata; bitas de cigarro que são jogadas de propósito, ocasionando as queimadas criminosas em frequentes ocorrências.

Ninguém parece se importar ou ter a consciência das consequências ao fazer queimadas. Se considerarmos apenas o aspecto da retirada da vegetação original, as queimadas provocam a alteração do equilíbrio dos ecossistemas das mais distintas paisagens, uma vez que impacta diretamente, na manutenção da fauna, na circulação de águas superficiais e subterrâneas, nas condições de temperatura e umidade, na liberação de vapor de água na atmosfera.

Nisso vemos que não é só a esfera dos políticos que tem o dever de fazer alguma coisa pela preservação e manutenção da água que chega até nossas torneiras. Uma vez que se queima criminosamente uma vegetação, o autor da queimada está contribuindo para que a falta d’água seja cada vez maior.

Está faltando água em sua residência? Viu alguém colocando fogo em vegetação? Pode ser o motivo de não ter água na sua casa! Denuncie quem faz essa prática ilegal e criminosa. Pois, além de afetar todo o sistema na circulação das águas, a qualidade do ar vai piorando também. Nesta época é quando acontece um aumento significativo de ocorrências das doenças respiratórias, em razão dos gases e partículas nocivas.

Não parando por aí, os problemas ainda chegam até nos patrimônios público e privado, onde cercas, casas e rede de energia elétrica são danificados ou totalmente destruídos pelo fogo. Exemplo disso, tivemos uma queimada que destruiu uma residência rural no bairro de Jaguara, em São José, onde a família estava ausente no momento, mas perderam todos os utensílios que estavam dentro do imóvel.

A ideia de que uma queimada é boa, é totalmente equivocada. Em alguns ecossistemas específicos, como o Cerrado, as queimadas podem ocorrer de forma natural. Nestes casos, os animais e plantas deste bioma estão adaptados à “passagem do fogo” e até se beneficiam desta ocorrência. Algumas espécies de plantas do Cerrado só germinam ou frutificam quando são submetidas às altas temperaturas e das queimadas naturais. Animais também conseguem se esconder ou fugir das áreas atingidas pelo fogo. No entanto, as queimadas no Cerrado só são benéficas quando ocorrem de maneira espontânea, natural. Mas, quando olhamos para nossa realidade, percebemos que uma significativa parte da vegetação nativa tem sido permanentemente destruída por pura irresponsabilidade educacional e cultural, ou seja, comportamento totalmente criminoso.

Fazer queimadas podem gerar consequências bem mais danosas e irreversíveis do que se pensa. Os impactos ambientais causados pelas queimadas não se resumem somente à perda material, mas nas consequências para o ser vivo. O grau e quantidade de elementos tóxicos presentes nas fumaças, como o carbono e enxofre, afetam o organismo humano no presente momento e futuramente, provocando infecções do sistema respiratório, vermelhidão e alergia na pele, irritação dos olhos e garganta, desordens cardiovasculares, asma, conjuntivite, bronquite, tosse, falta de ar e até transtornos psicológicos.

Por fim, fica aqui a nossa solidariedade à equipe atual da Defesa Civil Municipal, que como na imagem que ilustra essa matéria, apenas duas pessoas estavam tentando controlar o fogo próximo de residências na última queimada registrada no município. Ao diretor Marcos Pereira e ao Secretário de Defesa Civil, Rômulo Bulhões, nossos votos de entusiasmo e esperança, por uma conscientização da população.

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