Paulo Melo e Albertassi prestam depoimento em investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco

Presos, os ex-deputados estaduais Paulo Melo (MDB) e Edson Albertassi (MDB) são ouvidos, na manhã desta quinta-feira (24), na delegacia de Homicídios da Capital sobre a investigação da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

A segunda fase de investigação do caso Marielle tenta descobrir possíveis mandantes para o crime. Em setembro, a ex-procuradora Geral da República Raquel Dodge denunciou o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio (TCE), Domingos Brazão, e outras quatro pessoas por interferência nas investigações.

Segundo a polícia, os ex-deputados podem ajudar na linha de investigação que envolve Brazão. Ele também foi parlamentar estadual e sua indicação ao TCE foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Todos os três são do MDB.

As duas promotoras do Ministério Público que cuidam das investigação participam dos depoimentos.

Antes de deixar o cargo, Dodge pediu a federalização da investigação do caso, que seria repassado para a Polícia Federal. O pedido está com a ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça.

Melo dava as cartas da cadeia, diz MPF
Paulo Melo foi presidente da Assembleia Legislativa. Albertassi, quando preso, era presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) — a mais importante da Casa.

O Ministério Público Federal acusa o grupo de corrupção, inclusive através da aprovação de leis favoráveis às empresas em troca de propina. Sobretudo, empresas de ônibus.

Ainda de acordo com as investigações, a prisão em 2017 foi antecipada para impedir a iminente posse de Albertassi no TCE. A Alerj estava prestes a aprovar sua nomeação.

Em novembro do ano passado, como divulgado pelo G1, Paulo Melo tentava se manter no poder mesmo preso. A mulher dele, Franciane Mota, foi eleita deputada estadual.

Escutas telefônicas obtidas pela investigação apontavam que ele continuava “dando as cartas no cenário político local”.

“Paulo Melo pretende continuar atuando por meio de Franciane Motta, sua esposa e recém-eleita deputada estadual”, narra a denúncia.

Também em novembro do ano passado, os afilhados políticos de deputados presos foram escolhidos pelas urnas. Ligado a Jorge Picciani, Max Lemos foi eleito deputado estadual. Pedro Brazão, cunhado de Domingos Brazão, também se tornou parlamentar da Alerj.

Fonte: G1