São José: A luta de poucos pela RJ-134; “Falta de união” é a definição dos organizadores

Pela terceira vez uma manifestação foi realizada na Rodovia Bianor Martins Esteves, na RJ-134, em São José do Vale do Rio Preto, no trecho conhecido como Estrada do Poço Fundo.

Os organizadores buscaram durante uma semana, convocar a população, independente de ser ou não morador no trecho da localidade do Poço Fundo, mas que diariamente utiliza a rodovia. Não bastou o voluntarismo do serviço de carro de som convocando a população, não bastou um grupo de whatsapp com quase 200 pessoas participantes. A realidade é que existe um comodismo em apenas lutar pelas redes sociais, onde não se ganha luta alguma com o Governo do Estado, que é o responsável pela recuperação de toda a Silveira da Motta e a Bianor Martins Esteves, ou seja, toda a extensão da RJ-134 dentro do município de São José.

A situação só vem se agravando desde janeiro de 2011. O problema já existia antes, mas após a tragédia climática que atingiu a Região Serrana naquele ano, nunca houve uma ação do Governo Estadual, desde a era Sérgio Cabral, passando pelo Pezão, chegando ao atual Wilson Witzel, que parece ter a mesma inércia quanto à realidade enfrentada pelos usuários da rodovia.

A manifestação desta última sexta-feira dia 06, mostrou uma realidade dura de se acreditar: “a maioria dos usuários parece estar satisfeita com o que se enfrenta dia após dia ao passar pela RJ-134”.

Poucos representantes do comércio, dos caminhoneiros, dos estudantes e do poder público se fizeram presentes na manifestação. O único representante do Legislativo Municipal, foi o vereador Fábio Guerra; já das personalidades de destaque na cidade, participaram os advogados Eloir Esteves, Geraldo Teixeira e o ex-vereador Ivo da Gama Pires. Também esteve marcando presença, o também ex-vereador José Carlos do Mariano. A manifestação teve o auxílio da Polícia Militar na questão da coordenação do trânsito no local.

Por volta das 17h30, horário de pico na rodovia, vários veículos, dentre eles caminhões, particulares, ônibus e motos, ficaram parados por períodos intercalados de aproximadamente 10 a 15 minutos.

A riopretana Dona Doca, mostrou sua indignação apontando que é um absurdo, destacando ainda que o município precisa de pessoas mais capacitadas para administrar a cidade. Dona Doca levantou as dificuldades pra quem anda de ônibus, principalmente se for uma pessoa idosa, como o caso dela.

Morador da região, Seu Ponês, disse que está insustentável transitar pelo local. Que há anos não vê um descaso tão grande com a rodovia. Uma estrada que está verdadeiramente entregue às baratas.

Um dos motoristas que passou durante a manifestação, o popular Zé Porquinho, disse que “a estrada tá boa, do jeito que o povo precisa, do jeito que o povo merece, até a prender a votar”.

Outro que passou pela rodovia, um advogado de Teresópolis, disse que nunca viu em 30 anos que utiliza a estrada, uma situação como esta que vive a rodovia. O advogado de total apoio à manifestação, e disse que de repente só assim o poder público perceba o caos que está a rodovia.

Outro motorista que passou durante o ato de manifesto, disse que pede desculpas por não ter participado, mas que deveria ter pelo menos umas 10 mil pessoas unidos pela causa.

O pastor Joaquim da Silva, da Igreja Assembleia de Deus Ministério Nova Aliança, também esteve presente na manifestação, falando que na época de eleição todo mundo vem buscar votos, mas que ninguém vem dando apoio à causa de buscar melhorias na rodovia. O pastor criticou a ausência dos vereadores e do prefeito Gilberto Esteves, citando ainda que os deputados que receberam votos na cidade e foram eleitos, também não se manifestam em favor da estrada.

Outro manifestante indagou sobre os impostos que se pagam, oriundos de São José, e não se vê sendo aplicados na rodovia.

O advogado Geraldo Teixeira, citou que a estrada está quase intransitável. E cobrou uma resposta do governo estadual, que parece não estar recebendo os impostos oriundos da cidade, já que não se faz nada pela rodovia. Geraldo disse disse que aparenta-se que esses valores pagos estão sendo extraviados. E aproveitou ainda para convocar mais união da população e dos vereadores da cidade.

Um senhor, morador da cidade, criticou bastante a posição do governo municipal em não esgotar mecanismos para que o governo estadual faça a recuperação da rodovia. Na maioria das situações, em que os motoristas falaram sobre o problema, foi unânime o ponto de que é uma falta de respeito com a população, um descaso do poder público.

Outro popular que estava dando apoio à causa, citou que o verba se sabe que tem, ela precisa ser melhor gerida pelo governo do estado.

Uma das organizadoras, Simone Portilho, indagou durante a manifestação, que uma hora vai ter um acidente e quem será responsabilizado? Em outro momento, chamou a atenção dos populares que vivem fazendo videos para as redes sociais, mas na hora de lutar e unir forças somem. Chamando de fraco quem só fica na internet falando e não dá as caras.

Vanderson Motta, motorista de carreta, destacou que foi proibido de passar pela rodovia com os veículos da empresa, tendo que dar a volta por Além Paraíba. Mas, que para ir trabalhar passa todo dia de moto, tendo prejuízos com amortecedores que já quebraram várias vezes.

Outro motorista criticou o governador do estado que teve um grande percentual de votos na cidade e que não faz nada.

Outro que passava pela estrada, citou que a rodovia nunca foi boa, mas que agora chegou no seu limite. E que o povo tem que mostrar sua indignação contra os poderes públicos que permanecem calados.

O ex-secretário de Obras Públicas de São José, Júlio Carlos Odoni, disse que é um absurdo o estado em que chegou a situação de degradação da rodovia. Apontando que em alguns trechos a operação tapa buracos não resolve mais. Tem que ser de fato o recapeamento.

A comerciante Nilséia, disse que só um recapeamento total resolve o problema. Citando as dificuldades de locomoção em caso de uma emergência. Situação já vivenciada por ela.

Morador do Poço Fundo, Tito Portilho, também criticou a postura do Governador do Estado em não olhar por São José.

O comerciante Onofre, disse que desanima sair da cidade, que praticamente os moradores estão ilhados em São José.

A modelo Assucena Corrêa, também dando apoio à manifestação, disse que a estrada está uma vergonha, um desrespeito com quem transita pela rodovia.

O advogado Eloir Esteves, ponderou que a manifestação deve servir para conscientizar quem votou nos deputados estaduais eleitos como Marcus Vinícius (Neskau), Samuel Malafaia, Marcio Pacheco, Rodrigo Amorim, e tantos outros que foram os mais votados na cidade, além dos deputados federais eleitos, Sóstenes Cavalcante, Vinícius Farah, Hugo Leal, Carlos Jordy, que podem fazer alguma coisa por São José e não fazem. O advogado conclamou a quem pediu votos para esses políticos, que podem e devem cobrar dos eleitos uma postura em favor da cidade. Eloir destacou que a expectativa, levando em conta os cálculos feitos por um engenheiro, é que deva se gastar em torno de R$ 40 milhões de reais para fazer o recapeamento total da rodovia. Um valor que para o Estado não é muito.

Outro ponto levantado por Eloir é que talvez as manifestações não façam de fato o recapeamento acontecer, mas que está sendo importante para a população entender que a causa é de todo mundo. Não só dos poucos que estiveram participando. Eloir fez ainda um conclame aos deputados eleitos a darem às caras pela causa. O povo precisa de uma resposta.

Três professoras que são moradoras de Teresópolis, Angélica, Luana e Juliana, mas que lecionam na Creche Municipal de Santa Fé em São José, estiveram participando da manifestação. Elas apontaram que a luta é em busca de no mínimo mais segurança na rodovia. Destacando também, que já foram vítimas de um assalto no trecho e que cada vez mais o risco aumenta, já que não se tem sinal de celular no local. Sem contar o transtorno que o fator tempo de viagem vem causando; uma situação que se tornou perigosa e que vem pondo em risco quem transita pelo local. Pois, além dos buracos, à noite ou quando chove, a situação no trecho fica ainda mais insustentável, já que não tem iluminação em boa parte da estrada.

Mesmo com poucas pessoas na manifestação, teve muito panelaço, faixas, palavras de ordem cobrando atitudes do Governador Wilson Witzel e até a entoação do Hino Nacional Brasileiro.

Uma parte das pessoas que não esteve presente no ato em prol da RJ-134, apontou a questão do dia ser útil e em horário de trabalho da grande maioria. O que seria impedimento para várias dessas pessoas que não puderam participar.

Parece que uma outra manifestação, desta vez nos limites da RJ-134 com a BR-116, no trevo de entrada à São José pra quem vem por Teresópolis, poderá acontecer em breve; e estaria sendo promovida por um outro grupo de pessoas. De repente, atendendo a questão do horário e dia, poder ser feita no final de semana. A pergunta que fica é: “Será que vai ser mais uma manifestação sem apoio popular?”.

Imagens: Reprodução do Grupo SOS RJ-134

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